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Porto Velho,01/05/2026

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Desafios no enfrentamento ao abuso sexual contra pessoas com deficiência

Trata-se de uma realidade dura e cruel, de uma sociedade paralela que muitas vezes permanece à margem das estatísticas e até das próprias operações policiais.


Desafios no enfrentamento ao abuso sexual contra pessoas com deficiência O abusador também pode ser um familiar ou alguém de confiança da família. / Imagem Ilustrativa - Frepik

A deflagração de uma operação nacional nesta terça-feira (28) pela Polícia Federal, com o cumprimento de 159 mandados de busca e apreensão e 16 de prisões preventivas em todo o país, chama atenção para o enfrentamento aos crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes. No entanto, há outra realidade, de difícil dimensionamento pelos números oficiais, que envolve vítimas em situação de maior vulnerabilidade, como pessoas com deficiência.

Trata-se de uma realidade dura e cruel, de uma sociedade paralela que muitas vezes permanece à margem das estatísticas e até das próprias operações policiais, na qual a violência pode ocorrer em silêncio, sem testemunhas, sem registros e, muitas vezes, sem denúncia. A dependência de cuidadores, a dificuldade de comunicação e a limitação na compreensão de situações abusivas tornam essas vítimas ainda mais expostas.

Em março deste ano, um terapeuta foi preso em Brasília sob suspeita de abuso sexual contra uma criança autista de 4 anos. Após a denúncia, outras cinco famílias procuraram a Polícia Civil relatando suspeitas semelhantes, motivadas por mudanças no comportamento dos filhos após as sessões terapêuticas com o profissional.

Situações como essa não são isoladas. Casos envolvendo abusos em escolas, clínicas e instituições já ganharam repercussão nacional. No entanto, muitos outros episódios ocorrem de forma silenciosa e anônima, dentro das quatro paredes do lar. O abusador pode ser um familiar ou alguém de confiança da família.

Observar os sinais

Para o psicólogo Lenner Grandez, especialista em Psicologia Jurídica e em Ciência ABA, identificar os sinais pode ser o primeiro passo para ajudar a vítima.

“Quem acompanha uma pessoa com deficiência no dia a dia conhece bem essa pessoa e deve estar atento a qualquer mudança repentina de comportamento”, afirma.

Segundo ele, sinais como tristeza profunda, choro sem causa aparente, apatia, irritabilidade e resistência em retornar a ambientes que antes eram frequentados com tranquilidade podem indicar situações de abuso.

“Muitas vezes, a pessoa não consegue verbalizar ou descrever o que aconteceu. Ignorar esses sinais é como fechar os ouvidos para um grito de socorro”, alerta o psicólogo.

Lenner Grandez, que já atendeu famílias como voluntário na AMA de Rondônia e atualmente atua com crianças autistas na rede pública escolar do Amazonas, orienta romper o silêncio.

“Diante de qualquer indício, é fundamental procurar os órgãos de defesa”, finaliza.

Onde buscar ajuda

Diante de suspeitas ou confirmações de abuso, é fundamental buscar apoio institucional.

Comissão da OAB Rondônia (CDPD)
comissoes@oab-ro.org.br
(69) 3217-2113

Ministério Público de Rondônia (MPRO)
(69) 3216-3700
Solicitar a 9ª Promotoria de Justiça (defesa da cidadania e direitos da pessoa com deficiência)




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