Estudo revela que música fortalece sistema imunológico
Pesquisas coordenadas por instituições como o Hospital Albert Einstein e a University College London apontam que estímulos sonoros reduzem o cortisol e elevam anticorpos na rotina atípica.
Novos avanços no campo da neurociência e da musicoterapia trazem uma perspectiva terapêutica acessível para famílias da comunidade atípica. Estudos recentes confirmam que a música atua como um modulador biológico, fortalecendo as defesas do organismo e servindo como recurso estratégico para quem enfrenta o estresse crônico da rotina de cuidados.
Para cuidadores de pessoas com deficiência (PCDs), que frequentemente operam sob níveis elevados de alerta, a música atua diretamente na regulação do eixo HPA (hipotálamo-pituitária-adrenal). Segundo a Dra. Eliseth Leão, pesquisadora do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, a música não é apenas entretenimento, mas uma ferramenta capaz de reduzir o cortisol — hormônio que, em excesso, suprime o sistema imune.
A tese é reforçada por estudos internacionais liderados pela Dra. Daisy Fancourt, da University College London (UCL). Suas pesquisas demonstram que intervenções musicais elevam a concentração de Imunoglobulina A (IgA), a primeira barreira do corpo contra infecções respiratórias, sendo vital para cuidadores que não podem interromper suas funções por motivos de saúde.
Regulação Sensorial e Neuroplasticidade
O benefício se estende diretamente à pessoa com deficiência. No Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições neurodivergentes, a música auxilia na regulação sensorial e na redução de processos inflamatórios. O Dr. Gustavo Gattino, referência internacional na área, destaca que o estímulo sonoro estruturado ajuda a organizar o sistema nervoso, diminuindo a irritabilidade e melhorando a resposta biológica a estímulos externos.
Em sua publicação mais recente, o livro Musicoterapia e Autismo: Teoria e Prática, Gattino detalha como as experiências musicais — sejam elas ativas (tocar e cantar) ou receptivas (ouvir) — funcionam como uma "ponte" para a comunicação não verbal e para a autorregulação. Segundo o especialista, a previsibilidade do ritmo musical oferece um ambiente seguro para o cérebro atípico, o que reduz a sobrecarga sensorial e, consequentemente, os níveis de estresse oxidativo no organismo.
A obra reforça que, ao integrar a música de forma estratégica, é possível criar uma "janela de aprendizado" onde o indivíduo se sente menos ameaçado pelo ambiente, permitindo que o sistema imunológico opere sem a interferência constante das respostas de "luta ou fuga" comuns no autismo. Essa estabilidade emocional reflete diretamente na saúde física, consolidando a musicoterapia não apenas como um suporte pedagógico, mas como uma intervenção de saúde integral para a família atípica.
Saúde Intestinal e bem-estar
Em um público onde as sensibilidades gastrointestinais são recorrentes, como na comunidade atípica, o relaxamento induzido por frequências harmônicas pode favorecer a microbiota intestinal. Especialistas da Harvard Medical School sugerem que a redução do estresse mediada pela música melhora a barreira imunológica do trato digestivo, prevenindo desconfortos comuns em pacientes com deficiências severas.
Além disso, a ciência aponta que a música prazerosa estimula as células
Natural Killers (NK). De acordo com o neurocientista Dr. Daniel Levitin,
autor de estudos sobre a química cerebral da música, essa ativação
celular é fundamental para identificar e combater agentes invasores no
organismo.
......................
Fontes Consultadas:
• Hospital Israelita Albert Einstein (Brasil): Pesquisas coordenadas pela Dra. Eliseth Leão, especialista em música e bem-estar, que investigam o uso de intervenções musicais na redução de biomarcadores de estresse (cortisol) e dor.
• University College London - UCL (Reino Unido): Estudos do Social Biobehavioural Research Group, liderados pela Dra. Daisy Fancourt, que analisam como a participação em atividades culturais e musicais reduz a inflamação biológica e fortalece a resposta imune.
• McGill University (Canadá): Pesquisa publicada pelo neurocientista Dr. Daniel Levitin no periódico Trends in Cognitive Sciences, que realizou uma meta-análise de 400 estudos confirmando o aumento de anticorpos (IgA) e células de defesa (Natural Killers) através da música.
• Frontiers in Psychology / Immunology: Periódicos científicos internacionais que publicaram recentemente evidências sobre a regulação do sistema endócrino e imunológico via estímulos sonoros estruturados.
• Harvard Medical School (EUA): Publicações da iniciativa Music as Medicine, que exploram a neuroplasticidade e o impacto fisiológico do som no tratamento de condições neurológicas e psicossomáticas.
• Livro: Musicoterapia e Autismo: Teoria e Prática, de Gustavo Gattino (Editora Memnon).




COMENTÁRIOS