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Porto Velho,19/03/2026

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Mães atípicas, artesãs e inspiradoras

Mulheres que transformam o cansaço em criação, a dor em propósito e o cuidado em um exemplo de amor.


Mães atípicas, artesãs e inspiradoras Para elas, Para essas mães, o artesanato não é muito mais do que trabalho. / Montagem: Imprensa Atípica

Neste Dia do Artesão, celebrado em 19 de março, o reconhecimento vai além da arte feita à mão. Em Rondônia, mulheres da Rede de Mães Atípicas Empreendedoras mostram que o artesanato também pode ser um caminho de sobrevivência, identidade e resistência diante dos desafios de cuidar de filhos com deficiência.

Entre linhas, madeira e fios, essas mães constroem muito mais do que produtos: constroem possibilidades. A Imprensa Atípica presta homenagem a três dessas mulheres — Dryelle Vieira , Gabriela Dantas e Roberta Brazil — que representam tantas outras que vivem o duplo ofício de empreender e cuidar.

Dryelle Vieira: fé, madrugada e recomeço

Natural de Plácido de Castro, no Acre, Dryelle Vieira encontrou na pirografia um caminho que mistura fé, necessidade e propósito. Bióloga de formação, ela nunca exerceu a profissão. A maternidade atípica mudou completamente sua trajetória.



Mãe de dois filhos — um adolescente de 17 anos com TDAH e autismo, e outro de 11 anos com autismo, TDAH e epilepsia — Dryelle viu no empreendedorismo a única alternativa diante da impossibilidade de trabalhar fora e da ausência de rede de apoio. Foi durante a pandemia, em 2020, que nasceu a Drycka Pirografia, segundo ela, como resposta a uma oração.

“Empreender me fez renascer das cinzas”, resume. Entre uma rotina intensa de cuidados, ela produz suas peças nas madrugadas. Para ela, o artesanato vai além da renda: “É onde meu corpo cansa e minha mente descansa”. Cada peça, segundo Dryelle, carrega intenção e espiritualidade. “Não é só uma peça, é propósito.”

Com apoio da Rede de Mães Atípicas Empreendedoras, ela passou a expor em feiras e, aos poucos, retomou algo que havia perdido: o contato com outras pessoas. “Hoje consigo interagir, algo que era muito difícil pra mim.”

Gabriela Dantas: do silêncio à reconstrução

Gabriela Dantas, mãe de um adolescente de 13 anos com autismo nível 2 de suporte, encontrou no artesanato uma forma de se reconstruir emocionalmente e profissionalmente. Antes, atuava com atendimento ao público, administração e gerência de loja. Mas a necessidade de se dedicar integralmente ao filho a afastou do mercado de trabalho.



A frustração deu lugar a um novo começo. Produzindo bolsas artesanais feitas à mão, Gabriela transformou o que começou como uma alternativa de renda em algo maior. “Empreender representa ânimo, alegria, autoconfiança e coragem. Me fez reviver”, afirma.

O artesanato, para ela, ultrapassou o campo financeiro. Tornou-se também uma forma de cuidado com a própria saúde mental. “Além de fonte de renda, virou minha terapia.” Entre encomendas e criações, Gabriela reconstrói diariamente sua autonomia e identidade.

Roberta Brazil: entre laços, recomeços e sustento

Roberta carrega uma trajetória marcada por reinvenção. Técnica em radiologia por formação, precisou se afastar da profissão por questões de saúde. Foi no artesanato que encontrou uma nova forma de seguir.



Mãe de duas filhas — Rebecca, de 22 anos, diagnosticada com transtorno de personalidade borderline (TPB), e Hadassa, de 8 anos, com autismo — Roberta passou a se dedicar à produção de laços, tiaras e outros acessórios.

“Empreender representa uma oportunidade todos os dias”, diz. Mais do que complementar a renda familiar, o trabalho artesanal se tornou uma forma de seguir ativa e ter uma vida social além das rotinas em casas. 

Criando há cerca de oito anos, Roberta Brazil faz de cada peça um gesto de cuidado e continuidade. Entre laços e linhas, ela se reencontrou e descobriu a própria capacidade de recomeçar.


Através dessas mulheres inspiradoras — Dryelle, Gabriela e Roberta —, homenageamos, neste Dia do Artesão, todas aquelas que transformam o cansaço em criação, a dor em propósito e o cuidado em um exemplo de amor.

Para essas mães, o artesanato não é apenas trabalho. É sobrevivência. É identidade. É resistência.





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