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Porto Velho,10/05/2026

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Elias Balthazar, autista e empreendedor, fundou a “Terapia de Bolso”

Natural de Rondônia, Balthazar é um exemplo de quem decidiu não permanecer na estatística negativa. Ele transforma hiperfoco em negócio e impacto social.


Elias Balthazar, autista e empreendedor, fundou a “Terapia de Bolso” Elias Balthazar transformou o hiperfoco em sucesso no digital. / Foto: Divulgação

No Brasil, cerca de 85% dos profissionais autistas estão fora do mercado de trabalho formal, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estatística expõe uma barreira estrutural persistente — mas também revela um movimento silencioso de transformação: o crescimento do empreendedorismo entre pessoas no espectro.

Diante das dificuldades de inserção no emprego tradicional, muitos autistas têm optado por criar seus próprios caminhos, desenvolvendo negócios que respeitam suas necessidades, rotinas e formas de funcionamento. Entre esses empreendedores está Elias Balthazar, psicólogo, autista e fundador da plataforma Terapia de Bolso.

Natural de Rondônia, Balthazar é um exemplo de quem decidiu não permanecer na estatística negativa. Ele transformou desafios pessoais em uma solução que hoje atende milhares de profissionais e pacientes em todo o país.

O empreendedor destaca que uma das características marcantes do autismo — o hiperfoco — pode ser tanto uma vantagem quanto um obstáculo.

“Eu acho muito legal na maioria das vezes, mas tem seu lado negativo também. Tem horas que você quer continuar, não consegue desligar do tema, mas o corpo não aguenta mais”, relata.

A trajetória até o diagnóstico, no entanto, foi longa. Balthazar começou a suspeitar do autismo ainda em 2005, quando cursava Psicologia. Ao longo dos anos, considerou outras possibilidades diagnósticas, como transtorno afetivo bipolar e transtorno de ansiedade generalizada. O laudo de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 — podendo chegar ao nível 2 em momentos de sobrecarga emocional — veio apenas em 2025, aos 40 anos.

No empreendedorismo, ele encontrou tanto liberdade quanto novos desafios.
“O que dificulta [no empreender] é que precisamos ter previsibilidade, uma rotina clara, saber manejar a motivação por hiperfoco e a sociabilidade. Empreender demanda autonomia na tomada de decisões e arcar com as consequências, o que acredito que sejam os maiores desafios”, explica.

A história da Terapia de Bolso começou de forma simples. Durante uma temporada em Curitiba (PR), Balthazar atuava como psicólogo autônomo em um coworking quando decidiu criar um blog para divulgar seus serviços e compartilhar conteúdos sobre saúde mental. O projeto cresceu.

Em 2015, a iniciativa evoluiu para uma plataforma online que conectava psicólogos a pacientes. Com o tempo, ganhou novas funcionalidades e, mais recentemente, se consolidou como um Software as a Service (SaaS) voltado a profissionais da psicologia — especialmente aqueles em início de carreira.

A ferramenta oferece recursos como gestão de agenda, anamnese, prontuário eletrônico e suporte para atendimentos online e presenciais. Hoje, a Terapia de Bolso reúne 1.090 profissionais cadastrados e já atende mais de 6 mil pacientes.

O caso de Balthazar evidencia uma mudança de paradigma: diante de um mercado de trabalho que ainda exclui, pessoas autistas estão criando suas próprias oportunidades — e, ao fazer isso, também constroem soluções que beneficiam toda a sociedade.

Mais do que uma alternativa, o empreendedorismo tem se tornado, para muitos, uma forma de autonomia, adaptação e resistência.


Com informações de Empresas & Negócios




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