Abuso sexual: “identificar esses sinais pode salvar quem não consegue pedir ajuda”
“Quem acompanha uma pessoa com deficiência no dia a dia conhece bem essa pessoa e deve estar atento a qualquer mudança repentina de comportamento”.
Lenner Grandez, especialista em Psicologia Jurídica e em Ciência ABA. No enfrentamento aos crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes, há uma realidade de difícil dimensionamento pelos números oficiais, que envolve vítimas em situação de maior vulnerabilidade, como pessoas com deficiência.
Trata-se de uma realidade dura e cruel, de uma sociedade paralela que muitas vezes permanece à margem das estatísticas, na qual a violência pode ocorrer em silêncio, sem testemunhas, sem registros e, frequentemente, sem denúncia. A dependência de cuidadores, a dificuldade de comunicação e a limitação na compreensão de situações abusivas tornam essas vítimas ainda mais expostas.
Em março deste ano, um terapeuta foi preso em Brasília sob suspeita de abuso sexual contra uma criança autista de 4 anos. Após a denúncia, outras cinco famílias procuraram a Polícia Civil relatando suspeitas, por observarem mudanças no comportamento dos filhos após as sessões terapêuticas com o profissional.
Situações como essa não são isoladas. Casos envolvendo abusos em escolas, clínicas e instituições já ganharam repercussão nacional. No entanto, muitos outros episódios ocorrem de forma silenciosa e anônima, dentro das quatro paredes do lar, onde o abusador pode ser um familiar ou alguém de confiança da família.
Observar os sinais
Para o psicólogo Lenner Grandez, especialista em Psicologia Jurídica e em Ciência ABA, identificar os sinais pode ser o primeiro passo para ajudar a vítima.
“Quem acompanha uma pessoa com deficiência no dia a dia conhece bem essa pessoa e deve estar atento a qualquer mudança repentina de comportamento”, afirma.
Segundo Lenner, sinais como tristeza profunda, choro sem causa aparente, apatia, irritabilidade e resistência em retornar a ambientes que antes eram frequentados com tranquilidade podem indicar situações de abuso.
“Muitas vezes, a pessoa não consegue verbalizar ou descrever o que aconteceu. Identificar esses sinais pode salvar quem não consegue pedir ajuda. E ignorar é como fechar os ouvidos para um grito de socorro”, alerta o psicólogo.
Lenner Grandez, que já atendeu famílias como voluntário na AMA de Rondônia e atualmente atende crianças autistas na rede pública escolar do Amazonas, orienta romper o silêncio.
“Diante de qualquer indício, é fundamental procurar os órgãos de defesa”, finaliza.
Onde buscar ajuda
Diante de suspeitas ou confirmações de abuso, é fundamental buscar apoio institucional.
Vara De Crimes Contra Crianças e Adolescentes de Porto Velho/RO
pvhvcca@tjro.jus.br
(69) 3309-6862 Telefone Fixo
(69) 99962-4031 WhatsApp
Ministério Público de Rondônia (MPRO)
(69) 3216-3700
Solicitar a 9ª Promotoria de Justiça (defesa da cidadania e direitos da pessoa com deficiência)
Comissão da OAB Rondônia de Defesa da Pessoa com Deficiência (CDPD)
comissoes@oab-ro.org.br
(69) 3217-2113




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