O sentido da caminhada no Dia da Síndrome de Down
Mais do que conscientizar, o Dia Internacional da Síndrome de Down é um momento de reforçar a consciência do valor de cada pessoa, com as suas diferenças.
A síndrome de Down na vida de Simoni, Helcia e Priscilla. O Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, também é sobre Júlia, de 7 anos. Neste sábado, a família Gima estará reunida mais uma vez na caminhada no Espaço Alternativo, em Porto Velho, que neste ano traz o tema: “Amizade, Acolhimento, Inclusão... Xô Solidão!”.
E, por falar em solidão, “...isso não faz parte da vida da Júlia”, resume a mãe, Simoni Gima, ao comentar sobre a rede de apoio que cerca a filha. Segundo ela, o cuidado é compartilhado por toda a família: esposo, filhos, pais, irmãos, sobrinhos e até cunhados. “Todos são apaixonados pela Júlia”, declara com expressiva felicidade.
Simoni compartilhou um registro feito durante a caminhada do ano passado, que mostra parte da família reunida. Eles participam todos os anos, mas a caminhada ao lado da Júlia não se limita a um dia! O compromisso e atenção à criança são contínuos, e envolvem até uma promessa que a avó fez a Deus.
Família Gima na caminhada de 2025
A mãe relata que Júlia foi diagnosticada com síndrome de Down logo após o nascimento, e uma descoberta deixou a família apreensiva. “Ela nasceu cianótica, com a pele meio arroxeada e com sopro no coração. Precisou ficar na UTI”.
Foi quando a avó, dona Marinety, fez uma promessa com fé. “Minha mãe pediu a Deus que, se ela saísse dali com vida e saudável, cuidaria dela por toda a vida”, relembra Simoni.
Depois de ficar quatro dias na UTI neonatal e 16 no berçário do hospital, Júlia se recuperou. E a promessa foi cumprida. “Minha mãe até comprou uma casa ao lado para ficar perto dela. E não só ela — toda a família participa da vida da minha filha”.
O pai de Simoni, seu Sebastião, sempre leva a neta à escola, e o esposo, Cristiano, é um pai presente, mesmo cumprindo escalas de trabalho intensas como servidor da segurança pública. “Recentemente, ele pediu a redução da carga horária para levar Júlia às terapias”, informou Simoni.
E uma recente notícia trouxe muita alegria à família: “Estamos sempre monitorando a saúde da Júlia. Ela faz check-up anual. E, há quatro meses, fizemos um eletrocardiograma, e a doutora falou que fechou o sopro no coração dela. O milagre foi completo!”, comemora Simoni.
Rede de apoio
O exemplo serve de inspiração para outras famílias também irem juntas para a caminhada, que começa às 16h deste sábado, no Espaço Alternativo. O evento é organizado pelo grupo Tesouros 21, formado por pais e mães de pessoas com trissomia do cromossomo 21 (síndrome de Down).
A caminhada chega à sexta edição, enquanto o grupo atua desde 2015. A coordenadora é a assistente social Helcia Ramalho, mãe atípica de Maria Júlia, de 11 anos. “Nosso propósito é acolher famílias que recebem o diagnóstico, oferecendo apoio, afeto e informações”, explica.
Helcia vê a caminhada anual como uma possibilidade de extensão da rede de apoio na sociedade. “É um evento para a celebração das conquistas e que também é oportuno para reforçar compromissos e provocar reflexões sobre os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência e suas famílias”, ressalta.
Celebrar as diferenças
Para a psicopedagoga Priscilla Silva, o engajamento pela inclusão precisa começar dentro das próprias instituições. Gerente da Divisão de Inclusão e Diversidade da Secretaria Municipal de Educação (Semed), ela destaca a mobilização da equipe para a data.
Uma das ações foi o uso de meias coloridas, inspirado no movimento global #LotsOfSocks (Muitas Meias), que simboliza a diversidade.
“Mais do que conscientizar, o Dia Internacional da Síndrome de Down é um momento de reforçar a consciência do valor de cada pessoa, com as suas diferenças, bem como combater o preconceito e celebrar a diversidade”, afirma.
Para Priscilla, que também é professora na Apae de Porto Velho, a inclusão de verdade se faz com acolhimento, amor e respeito às diferenças em todas as suas formas. 
Os professores da Apae de Porto Velho usaram a criatividade para trabalhar o tema.
Na Apae, onde há um número expressivo de alunos com síndrome de Down, ocorrem, todos os anos, atividades alusivas ao 21 de março, destacando o respeito ao outro e a si mesmo e semeando, nos corações dos tesouros, a esperança de uma sociedade mais justa e inclusiva.




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