Inclusão precisa sair do discurso e chegar à prática, defende Tércia Marília
Secretária adjunta destaca desafios enfrentados por famílias atípicas e reforça compromisso com políticas públicas mais efetivas em Porto Velho
Um dos principais pontos abordados por Tércia foi a diferença entre acesso formal e inclusão real. Na abertura da caminhada pelo Dia Internacional da Síndrome de Down, realizada em 21 de março no Espaço Alternativo, em Porto Velho, a secretária municipal adjunta de Inclusão e Assistência Social, Tércia Marília Martins Brasil, fez um discurso marcado por críticas à inclusão apenas no papel e pela defesa de ações concretas voltadas às pessoas com deficiência e suas famílias.
Psicóloga, mestre em Distúrbios do Desenvolvimento e Analista do Comportamento Qualificada (QBA), Tércia Marília trouxe à tona a realidade vivida por famílias atípicas, destacando que o cotidiano vai muito além do que costuma ser retratado socialmente.
“Existe muito discurso bonito sobre inclusão, mas, na prática, a realidade ainda é muito diferente”, afirmou. Segundo ela, há diferença entre acesso formal e inclusão real, e garantir matrícula em escola ou atendimento básico não é suficiente.
“Não se trata apenas de ofertar a vaga, mas de acolher de verdade”, enfatizou, ao defender a necessidade de profissionais capacitados e humanizados, serviços estruturados e políticas públicas que funcionem na prática.
Tércia também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas no acesso à saúde, terapias e educação de qualidade, apontando que muitas famílias ainda precisam “lutar diariamente por direitos básicos”.
Sobrecarga invisível das famílias
Outro destaque da fala foi o reconhecimento do desgaste enfrentado por mães, pais e cuidadores. Tércia ressaltou que, além do cuidado direto, essas pessoas acabam assumindo múltiplos papéis.
“Muitas famílias precisam se tornar especialistas em tudo: saúde, educação e até direito, para garantir aquilo que já deveria estar assegurado”, disse.
Ela classificou esse cenário como uma sobrecarga física e emocional frequentemente invisibilizada pela sociedade.
Compromisso com políticas públicas mais efetivas
Durante o discurso, a secretária reforçou a importância de fortalecer ações que garantam não apenas o atendimento à pessoa com deficiência, mas também suporte às famílias.
Entre os principais eixos defendidos por Tércia estão:
• ampliação do acesso a serviços especializados de saúde e terapias;
• fortalecimento de uma educação inclusiva com estrutura e capacitação profissional;
• criação de redes de apoio às famílias atípicas;
• humanização do atendimento nos serviços públicos;
• efetivação de direitos já previstos em lei.
Inclusão como prática cotidiana
Ao encerrar sua fala, Tércia Marília destacou que a inclusão precisa ser vivida no dia a dia e não apenas celebrada em datas simbólicas.
“A inclusão precisa deixar de ser discurso e se tornar prática. Precisa ser sentida nos atendimentos, nas escolas, nas políticas públicas”, afirmou, reiterando o compromisso como integrante da Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social – SEMIAS.
A caminhada reuniu famílias, profissionais e representantes da sociedade civil em um momento de conscientização e visibilidade, reforçando que o 21 de março é, acima de tudo, um chamado à ação contínua em defesa da dignidade e dos direitos das pessoas com deficiência




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