Fábrica de Digitalização em Porto Velho amplia inclusão e gera oportunidades para trabalhadores surdos
Unidade do Governo Federal alia modernização de serviços públicos à empregabilidade de pessoas com deficiência
A fábrica de Porto Velho simboliza uma mudança de perspectiva. / Foto: Divulgação A inauguração da nova Fábrica de Digitalização do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em Porto Velho (RO), vai além da modernização administrativa: representa um avanço concreto na inclusão de pessoas com deficiência, especialmente trabalhadores surdos, que passam a ocupar espaço de protagonismo no ambiente profissional.
A unidade, inaugurada na última quinta-feira (19), conta com a contratação de 17 pessoas com deficiência (PcDs), por meio de parceria com a Associação Centro de Treinamento de Educação Física Especial (CETEFE). Entre elas, estão profissionais com deficiência auditiva que, pela primeira vez, encontram um ambiente de trabalho estruturado para garantir comunicação acessível e condições adequadas de atuação.
Durante a cerimônia, o colaborador surdo Andrey de Oliveira Farias destacou o impacto da iniciativa na vida dos trabalhadores. “Quero agradecer por essa oportunidade. Aqui estamos somente os surdos trabalhando juntos. Nas outras empresas, sempre trabalhamos com ouvintes, sem intérpretes, sem comunicação. Aqui temos apoio. Isso faz diferença no trabalho”, afirmou.
O relato evidencia uma realidade comum enfrentada por pessoas surdas no mercado de trabalho: a exclusão não está apenas na falta de vagas, mas na ausência de acessibilidade e comunicação. Nesse contexto, a nova unidade rompe essa barreira ao oferecer suporte com intérpretes de Libras e um ambiente mais inclusivo.
Eficiência e inclusão
Para o secretário de Gestão de Pessoas do MGI, José Celso Cardoso Jr., o projeto demonstra que eficiência e inclusão podem caminhar juntas. “A Fábrica de Digitalização demonstra ser possível combinar a busca por eficiência e automação de processos com a inclusão e diversificação de colaboradores”, declarou.
Além do impacto social, a iniciativa integra um projeto maior de transformação digital do governo federal. A unidade será responsável pela organização, tratamento e digitalização de milhões de documentos funcionais de servidores aposentados, pensionistas e órgãos extintos. Em Rondônia, a meta é digitalizar mais de 4 milhões de imagens, organizadas em cerca de 7 mil caixas de arquivos.
O diretor da DECIPEX, Marco Aurélio Alves da Cruz, explicou que a digitalização amplia o acesso às informações e garante mais segurança na preservação dos dados. “Ainda temos uma grande quantidade de documentos em papel. A digitalização facilita o acesso, melhora a gestão e beneficia tanto a administração pública quanto os cidadãos”, destacou.
Inclusão na prática
Mais do que números e metas, a fábrica de Porto Velho simboliza uma mudança de perspectiva: a inclusão deixa de ser apenas um discurso e passa a ser prática concreta, com geração de emprego, acessibilidade e dignidade.
Ao criar um ambiente onde trabalhadores surdos conseguem se comunicar, produzir e se desenvolver com autonomia, a iniciativa aponta um caminho possível — e necessário — para um mercado de trabalho mais justo e verdadeiramente inclusivo.
Com informações da Comunicação do Governo Federal




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