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Porto Velho,04/06/2026

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Pensaram que ele não ia andar, hoje Otávio dança nos palcos

De acordo com a mãe, a música e a dança contribuíram diretamente para mudanças no comportamento e na forma como ele interage com o mundo.


Pensaram que ele não ia andar, hoje Otávio dança nos palcos Otávio é integrante do grupo Includança.

Aos 15 anos, Luís Otávio é um exemplo de como a arte pode transformar vidas. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) antes dos dois anos de idade, com nível 3 de suporte, ele recebeu, ainda na infância, um prognóstico pouco esperançoso. Hoje, surpreende ao se apresentar nos palcos, dançando de forma sincronizada como integrante do grupo IncluDança, em Porto Velho.

Filho da empreendedora Regiane Silva, Otávio enfrentou desafios intensos desde cedo. Segundo a mãe, os primeiros sinais de neurodivergência surgiram após uma série de convulsões ainda na primeira infância.

Ela relata que Otávio teve a primeira convulsão com um ano e três meses e que, ao todo, foram cerca de vinte episódios, o que acabou afetando o cérebro dele. “Quando foi fechado o diagnóstico de autismo, a médica disse que ele precisaria de muita terapia, pois tinha bastante comprometimento”, relembra.



“Disseram que meu filho não iria falar nem andar. Hoje, ele anda, dança e se comunica do jeito dele. Consegue falar algumas palavrinhas, como ‘mamãe’, ‘papai’ e ‘água’”, conta Regiane, emocionada.

Primeira experiência 

Otávio ingressou na Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves aos 11 anos, no 6º ano do ensino fundamental. Foi nesse ambiente que começou a apresentar avanços significativos, especialmente com o apoio da sala de recursos multifuncionais. Pouco tempo depois, tornou-se um dos primeiros integrantes do projeto IncluDança, criado em 2024.

“No começo, muita gente achou que ele não conseguiria acompanhar. Mas mãe sempre acredita, né? Tive muito apoio das professoras e dos professores da escola, além do diretor Raniele. Sou muito grata à professora Lene e ao professor Luper por apostarem no meu filho e não deixarem ele fora do grupo IncluDança”, afirma.

Avanços 

A entrada no projeto marcou uma virada no desenvolvimento de Otávio. De acordo com a mãe, a música e a dança contribuíram diretamente para mudanças no comportamento e na forma como ele interage com o mundo.

“Antes da dança, ele não tinha limites e apresentava comportamentos bem agressivos. Hoje, meu filho sabe esperar, entende mais as situações e consegue se regular melhor”, explica.


Includança / Divulgação

As apresentações também se tornaram momentos especiais na vida do adolescente. Participando de eventos e conhecendo novos ambientes e pessoas, Otávio demonstra alegria e engajamento.

“Ele fica muito feliz. Para ele, é uma realização. E, para mim, também. Eu acompanho Otávio em todos os lugares e fico lá, aplaudindo junto com a plateia. Sou a fã número um”, afirma Regiane.

Ela também reconhece o apoio do esposo, José Maria Tomé, a quem descreve como um pai presente: “Otávio é apaixonado pelo pai. José também ama muito ele e, sempre que pode, também o acompanha nas apresentações.”


Otávio, Regiane e José Maria.

Nova etapa

Atualmente no 9º ano, Otávio se prepara para uma nova etapa: o ensino médio. Sua trajetória reforça o impacto de iniciativas inclusivas como o IncluDança, que vão além da arte e se tornam ferramentas concretas de desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida.

A história de Otávio mostra que, com apoio, oportunidade e estímulo, é possível romper previsões limitantes e construir novos caminhos — no ritmo da música, no compasso da inclusão. Quem imaginou que ele não dançaria, hoje pode assisti-lo nos palcos.




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