Especialista fala sobre Apraxia de Fala Infantil e sinais de alerta
Transtorno neurológico afeta a capacidade da criança de planejar os movimentos da fala e pode impactar diretamente a comunicação e o desenvolvimento social
Letícia Marão possui experiência clínica na área de linguagem. Celebrado nesta quinta-feira, 14 de maio, o Dia da Apraxia de Fala Infantil chama atenção para um transtorno neurológico motor da fala ainda pouco conhecido, mas que afeta diretamente a capacidade da criança de se comunicar.
A apraxia de fala infantil ocorre quando a criança sabe exatamente o que deseja dizer e compreende a comunicação, mas o cérebro encontra dificuldades para planejar e organizar os movimentos necessários da boca, língua e lábios para produzir sons e palavras corretamente.
A Imprensa Atípica ouviu a fonoaudióloga Ana Letícia Marão de Andrade Carvalho Alves, que explicou que o transtorno costuma gerar frustração tanto na criança quanto na família, justamente porque existe intenção comunicativa, mas dificuldade na execução da fala.
“A criança quer se comunicar, sabe o que deseja falar, mas enfrenta um grande esforço para conseguir organizar os sons das palavras. Muitas vezes ela tenta repetir a mesma palavra várias vezes e cada tentativa pode sair de uma forma diferente”, explica a especialista.
Um exemplo comum, destacado pela fonoaudióloga, é quando a criança tenta dizer a palavra “bola”, mas consegue pronunciar apenas “bó”, “boia” ou apresenta dificuldade para organizar corretamente os sons da palavra.
Letícia Marão reforça que a apraxia de fala infantil não está relacionada à inteligência, preguiça, falta de interesse ou desatenção.
“É importante que as famílias entendam que não se trata de falta de capacidade intelectual. A criança compreende, aprende e deseja interagir, mas existe uma dificuldade neurológica no planejamento motor da fala”, destaca.
Com mais de 20 anos de experiência clínica nas áreas de linguagem, motricidade orofacial, aprendizagem e inclusão, Letícia Marão é especialista em Motricidade Orofacial com enfoque em disfagia neonatal e lactentes. Ela também possui formação no Conceito Neuroevolutivo Bobath, treinamento em PECS e Comunicação Alternativa, além de capacitação no Método das Boquinhas.
Diagnóstico precoce
De acordo com a fonoaudióloga, o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são fundamentais para garantir avanços significativos na comunicação e na autonomia da criança.
“O diagnóstico e a intervenção fonoaudiológica precoce fazem toda a diferença no desenvolvimento da comunicação, da autonomia e da qualidade de vida dessas crianças”, ressalta.
Letícia aponta que entre os sinais de alerta para os pais e responsáveis estão dificuldade persistente para formar palavras, fala inconsistente — quando a criança fala a mesma palavra de maneiras diferentes —, esforço excessivo para falar e atraso importante no desenvolvimento da linguagem.
A especialista orienta que, ao perceber dificuldades persistentes na fala, a família procure avaliação profissional para investigação adequada e início do tratamento o quanto antes.




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