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Porto Velho,24/02/2026

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Pesquisa brasileira testa método para regenerar medula espinhal

Molécula derivada da placenta apresenta resultados promissores e entra na fase 1 de testes clínicos autorizados pela Anvisa


Pesquisa brasileira testa método para regenerar medula espinhal Tatiana Sampaio é pesquisadora em regeneração do sistema nervoso. (Foto: Divulgação)

Após 25 anos de pesquisa dedicada à regeneração da medula espinhal, a doutora Tatiana Coelho Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avança para uma nova etapa no desenvolvimento de um tratamento experimental voltado a pessoas com lesões medulares.

À frente do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, a pesquisadora desenvolveu a polilaminina, molécula derivada de proteína presente na placenta humana. A substância atua na reconexão de neurônios rompidos após traumas — um dos maiores desafios da medicina regenerativa.

Resultados iniciais animam pesquisadores

Em testes experimentais preliminares, pacientes com paraplegia e tetraplegia apresentaram recuperação parcial de movimentos e sensibilidade. Embora os dados ainda estejam em fase de validação científica, os resultados abriram caminho para estudos clínicos controlados.

A pesquisa é conduzida em parceria com o laboratório Cristália. Antes mesmo da autorização formal para início dos testes clínicos, 18 pacientes brasileiros conseguiram na Justiça o direito de receber o tratamento experimental.

Fase 1 começa com aval da Anvisa

Com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), teve início a fase 1 do estudo clínico oficial. Cinco pacientes com lesão medular participarão desta etapa inicial, cujo objetivo principal é avaliar a segurança do procedimento.

A aplicação da polilaminina é feita por meio de injeção intramedular única, diretamente no tecido nervoso lesionado. Após a intervenção, os pacientes passam por fisioterapia intensiva, considerada essencial para estimular a reorganização neural.

Nesta fase, os pesquisadores monitoram possíveis efeitos adversos e indicadores iniciais de resposta clínica.

Regeneração ainda é desafio médico

Lesões na medula espinhal podem causar perda parcial ou total dos movimentos e da sensibilidade abaixo do nível do trauma. Historicamente, a capacidade de regeneração do sistema nervoso central sempre foi considerada limitada.

Por isso, estudos que buscam restaurar conexões neuronais representam uma das principais frentes da medicina regenerativa contemporânea.

Visibilidade e expectativa


O trabalho da pesquisadora ganhou maior projeção após debates nas redes sociais sobre reconhecimento científico e critérios de relevância pública. A repercussão ampliou o interesse sobre o potencial da terapia.

Em entrevista, Tatiana destacou a dimensão humana da pesquisa:

“Quando eu sonho, eu sonho que todos os estudos clínicos vão dar certo; que as pessoas vão, de fato, melhorar; e que a gente vai poder expandir o uso para pessoas que têm lesão crônica.”

Caso os estudos confirmem segurança e eficácia nas próximas fases, o tratamento poderá representar um marco na reabilitação de pessoas com lesão medular no Brasil.




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