De Síndrome de Down para Trissomia do Cromossomo 21: Mudança necessária ou retrocesso?
A proposta divide opiniões entre o avanço científico e a acessibilidade da linguagem.
Até onde a precisão técnica ajuda ou dificulta a compreensão da sociedade? (Imagem gerada com recursos da Inteligência Artificial) Tramita no Congresso Nacional brasileiro o Projeto de Lei 1118/25, que propõe uma mudança histórica: a substituição do termo “síndrome de Down” por “Trissomia do Cromossomo 21” (T21) em toda a legislação brasileira e documentos oficiais. A proposta, que avançou significativamente ao longo de 2025, pode dividir opiniões entre o avanço científico e a acessibilidade da linguagem, abrindo um debate: "Até onde a precisão técnica ajuda ou dificulta a compreensão da sociedade?"
Quem defende a mudança como uma reparação necessária justifica que a nomenclatura "síndrome de Down" carrega um peso patológico, sendo frequentemente associada à ideia de "doença". Em contrapartida, o uso de T21 foca na biologia e na identidade genética, promovendo a despatologização da condição e ajudando a sociedade a enxergar a diversidade humana além do diagnóstico médico.
Por outro lado, a alteração pode impactar a compreensão das massas. No campo da linguística, especialistas defendem a importância da linguagem simples e da acessibilidade comunicativa, sustentando que a língua é um fenômeno de uso social consolidado. Assim, a substituição de um termo popularmente conhecido e já "alfabetizado" na mente do cidadão por um conceito técnico pode criar uma barreira terminológica.
O risco é que uma nova sigla, por não ser autoexplicativa para a maioria da população, gere um "apagão informativo" e amplie ou crie novas barreiras no contexto da informação e da conscientização. A proposta, contudo, visa não somente uma nomenclatura cientificamente precisa, como também respeitosa.
Os pareceres técnicos que sustentam o PL 1118/25, de autoria do deputado Duarte Jr. (PSB-MA), focam em três pilares fundamentais:
Precisão Científica: O termo "síndrome de Down" é um epônimo (homenagem a John Langdon Down). "Trissomia do Cromossomo 21" descreve exatamente a ocorrência genética — a presença de três cromossomos 21 em vez de dois.
Despatologização e Estigma: A palavra "síndrome" é frequentemente associada à "doença". A transição para T21 busca reforçar que se trata de uma condição genética e uma característica da pessoa, não uma patologia clínica.
Identidade e Respeito: A mudança atende a uma demanda da própria comunidade e de associações como a Federação Down, focando na diversidade em vez de uma visão meramente médica.
Se aprovado nas duas casas (Câmara e Senado), o projeto irá para Sanção Presidencial para se tornar lei. Com a eventual mudança da nomenclatura, o desafio será a promoção de amplas campanhas educativas que garantam à sociedade o acesso a essa informação, assegurando que o respeito aos direitos das pessoas com T21 continue sendo compreendido por todos.
Enquanto a legislação brasileira discute a transição oficial, muitas
famílias e associações já adotam a terminologia T21 como forma de
reafirmar a autonomia e a dignidade do indivíduo.




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